Ela, era 'menina' apenas no gênero, mas não aceitava mais ser chamada assim. Estava na 'flor' da sua idade, pronta pra começar a experimentar os primeiros frutos da liberdade, pronta pra viver tudo o que havia visto nos filmes até então. Era uma adolescente comum tentado ser como todas as outras, comuns.
Mas aquele livro não dizia isso.
Enquanto tudo ao redor a chamava para tomar escolhas impensadas, o livro dizia para ter prudência. Enquanto tudo ao redor a motivava para fazer qualquer coisa fora das regras, "só pra curtir, só pra ter alguma coisa pra contar", o livro dizia que de tudo ela deveria prestar contas.
Enquanto todos ao redor queriam a emancipação de seus pais opressores e insensíveis, o livro dizia para honrá-los.
Enquanto 'viver' para os outros de mesma idade era sofrer por "amores eternos", o livro dizia que a vida estava num só Amor.
Enquanto muitos sofriam calados, o livro dizia que todos os sofrimentos deveriam ser apresentados e entregues, para serem cuidados.
Enquanto muitos ardiam nos prazeres, o livro dizia que o prazer maior devia ser sua leitura! E obediência.
Enquanto todos achavam que liberdade é fazer o que se quer, o livro dizia que liberdade é se limitar a fazer somente o que é certo.
Que mundo diferente! Como aceitá-lo? O que ela iria se tornar?
O livro prometia a melhor das vidas, mas exigia toda a sua vida. Tudo o que ela conhecia. Era incerto.
Enquanto o caminho lá fora já era sabido por ela, mesmo que nunca o tivesse trilhado. Era só seguir.
Num enorme jorro de pensamentos conflitados, ela pediu ajuda ao descrito 'autor' daquela obra que a estava desorientando. E ele veio. E ela se entregou.
Tudo isso aconteceu num só momento.
Desde então, ela nunca mais largou o livro.
E todos o conheceram. Nem todos o aceitaram. Mas ela vive, e diz que morre por ele.
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