quarta-feira, 15 de maio de 2013

Eu choraria

Como eu gostaria de poder chorar mesmo. Por todos aqueles motivos que tenho ignorado todos os dias.
Sei que tenho esquecido pessoas importantíssimas pra mim, às quais eu fiz promessas que hoje não cumpro.
Gostaria de poder chorar mesmo, pela dor delas. Pela escuridão de seus espíritos e o apagar de suas esperanças, eu choraria incessantemente.
E ainda há aqueles que não te conhecem, que vivem no seu mundo vazio. Suas tentativas de preenchê-lo machucam meus olhos, mas mesmo assim, eu não derramo uma lágrima.
Os pobres, cujas faltas são omitidas por todos, que vivem num dia-a-dia de margem, sem fazer parte nem sequer dos problemas de humanidade do homem, por esses também, eu choraria.
E o homem? Que cada dia se lança mais e mais na Tua ausência, e que por isso, tem seus sentimentos invertidos, seus clamores transformados em desejos de Te ferir e provocar. Seu prazer em fazer sofrer, e morrer, toda a forma de vida. Ah! Como eu devia chorar!

São tantos motivos. É tanta falta, tanta escuridão, isso tudo dói tanto!
Mas então, por quê eu não consigo chorar, Deus?

Acho que, porque antes das outras dores, eu deveria chorar por mim.
Para que não me torne parte do meu próprio motivo de choro. Eu choraria.

As lágrimas carregam pesos insuportáveis, e incapacidades de carrega-los. Às vezes, são a única forma que temos de irromper no meio do habitual que tortura.

Porque não tenho chorado, eu chorarei. 

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