Era uma vez uma menina, que banalizava todas essas histórias que começavam com "Era uma vez...". Ela não vivia num 'mundo da lua', mas também passava pouco tempo no mundo real. Morava num mundo dela, que era um pouco diferente dos mundos das meninas de sua idade. Era um mundo mais sério, com mais objetivos e menos sonhos e ilusões. Digamos que "Era uma vez uma menina diferente", que gostava de ser diferente, e pretendia ser diferente pelo resto da vida.
Um dia, no entanto, como todos os outros "Era uma vez..." da história das histórias, ela conheceu um menino. 'Conheceu' sem conhecer, porque, como esclarece a frase anterior, eles não se conheceram de verdade. O fato é que alguma coisa aconteceu entre eles, porque se tornaram importantes um pro outro, mas não era aquela importância louca que era vista nos filmes da Disney ou nada parecido, mas uma importância gentil, que os ligava como que por um fino laço.
Então começaram as tentativas para que se conhecessem, e adivinhem só? Tudo deu certo como aquela boa parte no início das histórias normais? Não. Nada deu certo. Nada nunca dava certo.
Sempre alguma coisa acontecia, bem no dia, bem na hora, no momento que estava planejado para um encontro, caía o céu, morria o cachorro, o gato, chegava o amigo, o irmão, os parentes do Japão, e assim sempre acontecia.
Só que eles não deixaram isso ser o ponto final não! E aí que fica a parte boa do início das histórias, porque eles foram aprendendo a lidar com relacionamentos sem ter um relacionamento. Era sim, muito diferente. E o tempo foi passando, e assim as coisas foram continuando. Nada dava certo, nunca, absoluta e definitivamente, mas eles nem ligavam.
E o ponto final? A lição de moral da história? Não tem. Porque não começou ainda. Engraçado né?
E esse texto todo, que parece não ter um propósito bem real, na verdade é só pra dizer que existem uns tantos "Era uma vez" nesse mundão, e a maioria não são como os clássicos, mas eles existem sim! E por incrível que pareça, conseguem tornar 'normal' alguns aspectos da vida da mais diferente das meninas!
E falando na menina, imagino que as coisas continuem não dando certo, e por isso imagino que ela deva estar com saudades do menino, e do que ainda não aconteceu. Imagino.
